Prof. David Mourão Ferreira on E.T.

 

1993

A pintura de Eugénio Torrens, independentemente dos formatos que privilegia e dos matérias a que amiúde recorre, assume-se quase sempre como dimiúrgica ambição de ritualidade reproduzir ou magicamente reinventar os gestos primordiais de uma criação absoluta. É como se a sentíssemos surgir, ex nihilo, através das suas largas e esbatidas pinceladas, de um universo anterior, mas tornado presente, em que o zero e o infinito ainda se defrontam, sem bem saberem, por então, qual deles irá triunfar. Mas cada estádio da obra pictórica, tal como se nos apresenta, logo nos indica e logo esclarece, na sua própria tensão para um infinito incessantemente perseguido, em que lado afinal o triunfo se instaura.